sexta-feira, 4 de março de 2011


Em pensamento.


foi esse teu sorriso, e os reflexos em tons de vermelho com a luz do sol pintando sua face. pelo emaranhado de infindos sentidos que o olhar me causou ao me engolir nessa imensidão sépia. por tudo que desconheço ainda hoje mesmo depois de ter tido um espectro desse vazio tão preenchido que ès. pelo silêncio que me acalma em dias de tormenta como esse, sinto sua boca silenciando tudo que me mata de ânsia de você. não é a falta, é a essência. e ainda agora minha epiderme sente sua alma se dissipando da minha, de pálpebras fechadas vejo seu vulto percorrendo a estrada e fico estático diante da possibilidade dos meus braços te alcançarem.. abri os olhos.



ele disse.







ps. ouvir ao som de snow patrol - open your eyes.







segunda-feira, 8 de novembro de 2010


Lispector, que fala por mim;

"Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém."



sexta-feira, 23 de julho de 2010


Das displicências;

vindas dó céu, partículas invisíveis acalentam a alma, ainda foragida da conjuntura, um despudor macio, calmo, quase tão distante quanto o objeto de ser. os retratos presos na memória pesam e refletem suas vidas no silêncio que vê sem se pronunciar, na estaticidade. e imóvel, distante caminha ao nada como quem tem sede que não pode ser saciada, e encontra, sem muito respirar, em um espectro se pálpebras, o instante em que é invadida pelo algo que faz a pele tremer, como um passáro branco flutuando livre.. como a vida em sua primeira res, pir-ação.



"but i can't help the feeling
i could blow through the ceiling
if i just turn and run
it wears me out, it wears me out
it wears me out, it wears me out
if i could be who you wanted
all the time..
"






quinta-feira, 4 de março de 2010


Ode a ambas


para que tu que sobrevives de mim, ao esquecer, lembre-se;

das incongruências milimétricas que regem seu corpo, só casca, epiderme, participante coadjuvante do teu eu, ame-as, com ardência e rejeição, tua imperfeição é teu martírio de
ser incomum,
do brilho no olhar azul, carregado de um oceano onde a maré leva teu barco ao mesmo porto
todo acabar de dia,
do exato instante em que seus cílios grandes se fundem transformando o agora em um devaneio
de nadezas e liberdade, o sonho de esquecer de existir,
da dor insistente pulsando no teu peito, da delícia e éter-na agonia de ser quem és,
flutue, flua, des-seja a cada dia enquanto ès.