segunda-feira, 19 de outubro de 2009



da dor da partida futura o silêncio diante da inércia do corpo, paralítico, apático, estático de um sopro que alcançe o grão de areia submerso na imensidão do mar que vem e vai por este rosto que ontem abria os poros para a vida e hoje.. um desejo de esva - ir, tornando-se participante do ar, incolor e leve, para quê a breviedade do hoje se dilate para o amanhã, a estrutura formada por todo o passado e futuro segure firme no fio tênue que ainda a mantém.. o martírio passe, como passa a gaivota revolta na imensidão azul.



"so do what you must do
to fill that hole.."









sábado, 1 de agosto de 2009


Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

A carta. #1
(à você; quem quer que seja)

Querido,
venho por meio destas palavras te entregar toda a minha apatia altruísta. desde já, peço que me perdoe ainda que o perdão não seja para homens como você. não deveria lhe confessar estas coisas, mas você deve saber que faço muitas coisas as quais não deveria. um exemplo claro disso, é a minha pessoa. nua e crua em toda minha ignorância. já tive muitas chances de me perder (e me perdi), e fiz uma recusa por escrito a todas elas. é. eu insisto nessa porra de seguir adiante. não consigo desistir. apesar de ter o feito incontáveis vezes. eu não nasci pra ser como você. ou como ele. ou até como ela. eu poderia implatar o caos em todos os olhos que insistem em me ver. ah, eu poderia. eu tenho todos os artifícios para essa missão. mas seria simples demais. não combina com toda a minha complexidade morbida, meu anti-socialismo, e claro, meu ar recuado. você não sabe (ainda), mas em algum momento vai saber. o fato é que estou te esperando. sentada naquela calçada que tem esquina com a Jaguarari, todos os dias as seis e trinta da noite com uma caneca de café na mão. as roupas variam. de acordo com o meu mal-humor. te espero porque cansei. e que alívio admitir isso. envelheci dez anos nesta última semana só de pensar em como seria. em como seria o dia em que você chegasse com passos calmos e miúdos, e sentasse ao meu lado trazendo a sua caneca de café. sem dizer nada. o momento seria sublime demais para palavras. cheguei até sentir o teu cheiro. que penetrou na minha pele se difundindo com o meu. lembro da vontade súbita que me arrematou de acariciar os seus lábios com a minha língua. num ato totalmente despudorado. em plena esquina. não me lembro de mais nada. o resto foi tudo uma grande fantasia. a verdade é que eu te conheço. mesmo desconhecendo-o. e sei que na manhã do exato dia doze você vai chegar pra mim com uma única magnólia em mãos exibindo um sorriso escroto pra solidão. e vai colocar os teus braços em volta de mim. e eu? eu não sei. não devo saber. estragaria tudo. e eu sou boa nisso. então. recolho toda a minha fé e coloco em oração. é tudo que posso fazer. tudo que posso garantir. o resto é falso. quebradisso. vunerável. com prazo de validade. e a você eu devo a minha verdade. só por causa da tua procura. da tua busca incansável por mim. em todos esses corpos. em todas as bocas. em todas essas línguas. em todas essas almas. em todos esses ventres. é a minha sina. sou mutável. perpetuo o meu legado seguindo. para aonde quer que eu me deixe levar. um dia você chega. e eu vou estar lá. as seis e trinta da noite. te esperando chegar. e você vai me ver. e vai saber que sou a junção de todas as bocas, todos os ventres, todos os corpos, todas as almas, e que fiquei esperando você passar de mão em mão, pra me encontrar.







E, hoje, quase 365 dias depois, o tenho ao meu lado..
(quem diria).



domingo, 26 de abril de 2009



indo, esvaindo um pouco a cada madrugada chuvosa, úmida. quase sinto o espectro do frame quando meu corpo se une as gotículas correndo na janela, esquecendo de lembrar sem que isto intensifique o caos atrelado em minhas mais frágeis entranhas ou apague as imagens formando um filme frânces clichê presas no crânio. excrucitante, talvez, dilacerador, quem sabe, você não fazer parte disto. irei sem sentir seus braços em volta de mim com uma força tão abrupta que até esquece que aperta o vazio. 2, 1, 0, tudo que resta. todo o mais é dialético, altruísta, saudade. as últimas emoções verbais expressas pelo teu timbre será o tom das horas que irão seguir o rastro abstrato da caricatura efêmera do meu rosto, meu desconhecido optico: guarde.


um piscar de pálpebras; e o desconhecido será o lar. só nós dois, dois, nó-(s)so, só.
tudo além
está escrito
no silêncio..




"if you close the door just turn off the lights now
the world looks better into the dark
between the curtains somebody's watching."










ps. ler ao som de ultra orange and emmanuelle's - don't kiss me goodbye.




quinta-feira, 9 de abril de 2009





valhei-me os deuses todos das partículas do ar da folha murcha recostando o corpo na terra, olhai por mim invisível estrutura destroçada, fadigada, ausente, perene nas ondas que quebram no mar. afogou-se nos olhos salgados da inexistência infinda, excrucitante, indesejada..

ei-me
em mim
vã.