Lispector, que fala por mim;
"Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém."
1 semana atrás
2 nominais:
Se disse Clarice
Não haveria mais nada a dizer
Vitimados pelo real
Mas cientes dos riscos do jornal
Meio sem sal, meio sem doce
Vamos viver
Como Alice
Em cujo país
Tanto se fez quanto se diz
Afinal foi o que aqui nos trouxe
E mesmo se a cinta não afrouxe
A arte transborda por aí...
não havia lido este ainda..
Eu adoro tudo que ela escreve,sempre se encaixa.
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