Esta carta é para..
Quando você encontar um papel jogado no chão de um lugar qualquer e mesmo sujo e amassado você sentir uma vontade irresistível de apanhar, abrir e ler. É que eu preciso contar a você muitas coisas sobre mim que tenho medo de que ninguém saiba se eu não revelar, e mesmo você, alguém que eu nunca vi e provavelmente nunca verei, mesmo que seja você o qual saberá de todas as minhas dores e amores e pecados e esperança, eu me sentirei livre, porque alguém vai saber que vivi e isso não foi em vão, mesmo todo o tempo em que estive morta. Me perdoe desde já, por descabida incubir esse papel a você, o papel de perpetuar o meu legado por esse lugar aonde eu já não pertenço mais. Espero que entenda. Tudo que tenho para dizer não caberia em meu epitáfio e também não gostaria que fosse resumido em uma única palavra pois não faria sentido algum já que sou a junção de todas as etapas que passei e ainda irei passar (Constante construção). Não sei se você conheçe a morte, talvez ela já tenha passado muito próximo mas você nunca a viu. Eu já não tive tanta sorte. Nasci com ela agarrada no meu braço enquanto eu sufocada, tentava encontrar o ar, e lembro bem do seu rosto obscuro fitando minha face suja de sangue e por mais contraditário que isso seja, notei que ela não desejo de me levar, apesar da força que fazia sua mão no meu braço, tinha uma expressão de quem não me queria e eu não sei por quê. Cresci com essa presença amiga e talvez seja por esse motivo que nunca a temi, nunca senti nenhuma espécie de tremor quando se aproximou. Mas senti dor. Ela sempre me causou muita dor e eu sempre soube entender. No final das contas, apenas faz o que foi incubida de fazer: levar. Anos depois, eu entenderia a cara de remorso que ela tinha no dia em que nasci.. me levou tudo de mais precioso, o meu tesouro de valor inestimável e ainda conseguiu ser sutil. E aquele dia eu me ofereci, eu implorei, eu roguei que ela me desejasse.. e ela apenas sorriu e foi embora. Nunca esqueci. Isso que direi agora causará uma sensação ruim em seu estômago, desculpe por isso: a morte me ensinou a amar. Antes disso eu não tinha conhecimento com o amor. Então eu descobri. Descobri o nome que se dá ao conjunto de sentimento e sensações que não se pode explicar ou expressar com total exatidão e dinamismo. E eu amei tanto que às vezes chego a achar que tudo foi em vão porque poucos souberam aceitar toda a empatia que eu tinha pelo amor. E por Deus, lhe peço, não deixe de amar. Não sei nada sobre a sua vida, mas sei que amar vai lhe fazer transceder quando sua hora de vir ao meu encontro chegar. Eu fui alguém que foi humana demais e não soube aceitar ou entender isso. Fui alguém amada demais por Deus e pelas pessoas que souberam me compreender e me aceitar e reluziram sua luz para mim. E disso eu sinto muitas saudades. E agora que estou a horas tentando fazer uso correto dessas palavras para lhe contar minha vida, vejo que nada disso faz o menor sentido, então, rogo a Deus que lhe dê muita felicidade e que você, como eu, escreva para alguém afim de que um dia, uma tarde, ou uma noite, seja mais, seja além, que alguém no mundo, saiba que a vida é um legado único e isso por si só, já é muito. E agora, talvez você saiba mais de mim do que eu um dia soube.
Com carinho, Vitória.
ps. texto antigo (ré-postado), vagando em alguma garrafa na imensidão das ondas..
11 nominais:
ao menos quem assina é vitória.
beijos.
Faz sentido sim, Vitória. Essa sua busca é a mais bela das aventuras humanas.
abs,
belo texto e obrigado pela visita!
Eu soube da morte
Soube do corte
Triste sorte
Que a todos há de chegar
Por mais insular
Que seja
Ela vem
E nos beija
E a perna fraqueja
Por que no fim toda vida a deseja
Por mal ou por bem
É imperioso tomar essa trem
Que conduz à infinitude do mar
Daí o amar
Que mais que achar
Nos acha
Em nós encaixa
E nos balança
Como uma mera garrafa
Na imensidão das ondas...
UAU!
Adorei! Magnífico!!!
Certamente está entre os meus favoritos!!!!
Beijo!
ai ai ai.
que perfeito.
gostei do teu estilo.
é inusitado e encantador.
grande beijo;
o desejo de pacificação de tudo o que não sei se disse, todas as palavras de que desconheço a origem, eu, talvez,ou a memória imaginada do que fui até agora.
Linda carta.
Belíssimo... acho que entendi o que quis dizer.
:D
: **
atualiza aqui, que eu gosto um tanto.
"E eu amei tanto que às vezes chego a achar que tudo foi em vão porque poucos souberam aceitar toda a empatia que eu tinha pelo amor. E por Deus, lhe peço, não deixe de amar." Noooosssaaaaaa :0
Me lembrou a V do filme V d Vingança lembra?
Esse seu texto sinceramente me deu um novo ar de perseverança.. gostei muito do seu jeito de escrever, das suas sinceras palavras.
Vc está certamente nos meus favoritos, parabéns pelo talento!
Beijos
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