terça-feira, 23 de dezembro de 2008



a voz entrou correndo pela janela procurando seus ouvidos, penetrando antes do silêncio; entre o balanço da porta e o cheiro de chuva dançando na janela descortinada. os pés deram alguns poucos passos até as mãos encontrarem suas texturas, latentes na epiderme sem cor. o rosto refletido no espelho verde musgo enquanto a canoa vagava sem dono rumo ao desconhecido; um esboço no canto dos lábios, recusando se expor ao sol, escondendo-se da solidão.






sexta-feira, 12 de dezembro de 2008


Com o coração pulsando entre a boca e o intestino, refletindo no globo ocular um silêncio paciente. Uma mudez prolixa; rememorando os verbos, assasinando as vírgulas, se esquivando do ponto final. O adjunto inquietante recusando o nome em gênero, número e grau, sonhando com a epiderme superlativa. Um ruído surdo; ausência predicativa da sujeita.






21 primaveras, outonos e invernos, quem diria.

"ser como um saco plástico de supermercado que voou para nenhuma platéia, certa vez, perto do Forte São Pedro. eu o notei, e isso bastou. que esqueçam minha fisionomia e o meu nome. eu não sou concreta. quero ser o vento que bate as portas e some antes de assumir a culpa, deixando apenas dúvidas. (..) eu quero ser o saco plástico dançando a melodia do vento que vinha do recôncavo. nada mais." (mariele góes)